Tenho escrúpulos de partir o peru. Me aflige ver aquele corpo morto faltando uma coxa, o osso ali exposto, próximo à cebola.
Me envergonham os olhares da minha infância a milimetrar-me os passos, a apontar as estrelas que não consegui alcançar (e apostar que não conseguirei outras tantas!).
Me enrubescem os erros desse e dos passados anos - a realidade paralela da vida-que-poderia-ter-sido.
Me escancaram em lágrimas - escondidas ou escorridas - as pequenas piadinhas maldosas no amigo secreto. Aquelas que bem deviam permanecer ocultas e inaudíveis. (O mesmo se aplica à música da Simone.)
A você - que enfrentou esse bicho mesmo sabendo que ia doer, pelo querer bem à vozinha ou por gratidão pelas origens sobre as quais caminha: desejo um FELIZ NATAL. É feito de amor o menino da manjedoura. Todapoderosa e mansa é a mão que estende a quem dele se vale por auxílio para suportar grandes proximidades. É só ele quem socorre os que engolem sapos amorosamente - no trabalhoso exercício de um imperceptível milagre.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
domingo, 4 de novembro de 2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Dona Muriçoca.
Os mortos não se encontram com a Dona Morte. Eles se encontram com Papai do Céu. Ou com a separação eterna dEle - que queima mais que lagos de enxofre e larva - se tiverem tido, na Terra, um coração duro ou anestesiado para a vida revelada. Quem se encontra com a Dona Morte somos nós. Em qualquer idade, ela vem. E a vida passa a ser finita, contada. Com dores que a gente crava no cordão ou na tornozeleira e, por ser necessário seguir, carregamos para frente. É amarga e doce a companhia. Então, nos zumbe a muriçoca que somos um serzinho que passa. Mortal, como as formigas e as baratas.
domingo, 23 de setembro de 2018
BRT.
Acertar um endereço a pé, na cidade dos outros, dificilmente é um caminho solitário. O olhar atento (e brasileiramente desconfiado) nos cerca de impressões de lugares já conhecidos ou dantes desbravados, como para reconhecer ou apropriar-nos de uma nova realidade que nos intimida.
Cercam-nos as recomendações da mãe, da tia, de uma vida inteira de cuidados: olhe para os lados, ande pela calçada, saiba a quem pedir informação. Carregamos indissociáveis sensações. A história. Os motivos. Tudo que nos fez largar - para sempre ou por retalhados instantes - o conhecido.
Saímos de casa para sarar a alma. Para voar mais alto. Para enxertar longe as raízes. Saímos porque precisamos. Por ter o céu no coração.
Então, nos detemos - regressando ou recriando um lar - por amar fincadamente o ficar.
Cercam-nos as recomendações da mãe, da tia, de uma vida inteira de cuidados: olhe para os lados, ande pela calçada, saiba a quem pedir informação. Carregamos indissociáveis sensações. A história. Os motivos. Tudo que nos fez largar - para sempre ou por retalhados instantes - o conhecido.
Saímos de casa para sarar a alma. Para voar mais alto. Para enxertar longe as raízes. Saímos porque precisamos. Por ter o céu no coração.
Então, nos detemos - regressando ou recriando um lar - por amar fincadamente o ficar.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Ópio e criptonita.
Ele só queria uma namorada, como tantos outros rapazes da turma e de tantas outras turmas de tantas gerações de antes e do porvir. Mudar o status nas redes sociais. Dar a ela o carinho mais puro e dividir umas tantas impressões inconfessáveis com que a vida o afligia. Seria mais divertido - e bonito - o caminho, tendo ele por quem zelar.
E ela era linda. Não a mais bela, é verdade, embora, com o tempo, ele viesse a achar que sim. Nem a mais simpática. Na verdade, às vezes ela seguia umas linhas de pensamento meio truncadas, o que afastava um punhado de gente literal de perto, mas ele estranhamente seguia-lhe as aventuras imaginárias.
Atento. A fim de retirar dos dedos dela qualquer flepa das topadas com que a vida a sacudisse. De enchê-la de não-sei-quê presentes, de todo o mimo que conseguisse apanhar, para renovar-lhe as forças. De deixa-la quietinha e segura, num cantinho bem perto de si.
Mas a moça era por demais confiante e falha para não se atabalhoar a toda hora em rapéis e saltos em corda bamba, ao bel prazer de sonhadoras ambições. Por tanto que ele insistisse em trazê-la de volta para o abrigo paralisante do possível, ela cria ter asas e insistia em voar, caindo de alturas cada vez maiores, trazendo consigo um roto e cada vez mais inteiro coração.
Que ele tratava com esparadrapos, por não cuidar ser o caso de engessar. Ao passo em que ela sempre dizia achar que da próxima vez lograria enfim algum inatingível intento.
Triste, o homem resolveu-se a ser super-herói, para a guardar fosse qual fosse o tombo. Mas, em meio a seus esforços, passou a ser difícil até mesmo sair da cama. A mulher, portando paraquedas, cantil de água e rádio portátil, veio pedir-lhe um abraço antes de mais um salto.
Então, ele virou a cara e dormiu.
E ela era linda. Não a mais bela, é verdade, embora, com o tempo, ele viesse a achar que sim. Nem a mais simpática. Na verdade, às vezes ela seguia umas linhas de pensamento meio truncadas, o que afastava um punhado de gente literal de perto, mas ele estranhamente seguia-lhe as aventuras imaginárias.
Atento. A fim de retirar dos dedos dela qualquer flepa das topadas com que a vida a sacudisse. De enchê-la de não-sei-quê presentes, de todo o mimo que conseguisse apanhar, para renovar-lhe as forças. De deixa-la quietinha e segura, num cantinho bem perto de si.
Mas a moça era por demais confiante e falha para não se atabalhoar a toda hora em rapéis e saltos em corda bamba, ao bel prazer de sonhadoras ambições. Por tanto que ele insistisse em trazê-la de volta para o abrigo paralisante do possível, ela cria ter asas e insistia em voar, caindo de alturas cada vez maiores, trazendo consigo um roto e cada vez mais inteiro coração.
Que ele tratava com esparadrapos, por não cuidar ser o caso de engessar. Ao passo em que ela sempre dizia achar que da próxima vez lograria enfim algum inatingível intento.
Triste, o homem resolveu-se a ser super-herói, para a guardar fosse qual fosse o tombo. Mas, em meio a seus esforços, passou a ser difícil até mesmo sair da cama. A mulher, portando paraquedas, cantil de água e rádio portátil, veio pedir-lhe um abraço antes de mais um salto.
Então, ele virou a cara e dormiu.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Concurso público.
Sobressalente, para a figurinha repetida do álbum não havia festa. Não havia espaço. Nada além da mera constatação de que ela era adequada, mas inútil. Só lhe restaria ficar de canto, servindo de moeda de troca para os meninos do bafo, ter seus ladinhos remexidos para que se revirasse com mais facilidade e sujeitar-se a muitíssimos sopapões com estampido de ar. Figurinha vacuosa. Substituível. Como tantas, numerosa demais.
E olhem que nasceu pensando ser a única, só por ser a mais bonita do seu pacote.
E olhem que nasceu pensando ser a única, só por ser a mais bonita do seu pacote.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Odeio quando ele dorme meia-noite no telefone.
Não gosto dos teus silêncios pesados à noite, que me embaçam o sono e me turvam o coração.
Eles esburacam minhas certezas e me enchem de papéis em branco para que eu escreva os piores dramas.
Eles testam minhas boas inclinações, como uma lata de tinta spray colocada nas mãos de quem não quer, mas bem que devia, transformar o nosso amor inteiro em pichação.
Eles esburacam minhas certezas e me enchem de papéis em branco para que eu escreva os piores dramas.
Eles testam minhas boas inclinações, como uma lata de tinta spray colocada nas mãos de quem não quer, mas bem que devia, transformar o nosso amor inteiro em pichação.
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Não passarão.
Não era culpa dela. O homem levantou a sua voz de homem para agredir a mulher porque ela lhe mostrou o que ele não queria ver.
Machucada, a ela faltou espaço onde colocar o pus da alma, que extravasou em lágrimas de garganta seca. E, por ausente a literalidade, ninguém pôde ver as palpáveis lesões em sua cara, só porque era mulher.
Afinal, é feminino ser etérea, ser a mãe do perdão, ser ridiculamente falha em controlar toda e qualquer sensação. É feminino empilhar cartas formando castelos que o homem, de um destempero, pode vir soprar. Para que, então, ela volte a reconstruir, chamando-o de casa dos dois.
Mas aconteceu de ventar por aquelas bandas um turbilhão de clarividências e obviedades. Foi quando ela, aquela outra e mais alguma enxergaram em si, no espelho, as virtudes do coração. E tiveram por urgente preservar aqueles punhadinhos de carne rara e exígua, tão única no mundo. Colocaram, então, a própria inteirença no freezer. E, desde então, de frio queimam quem sequer em pensamento ousa levantar-lhes a mão.
Machucada, a ela faltou espaço onde colocar o pus da alma, que extravasou em lágrimas de garganta seca. E, por ausente a literalidade, ninguém pôde ver as palpáveis lesões em sua cara, só porque era mulher.
Afinal, é feminino ser etérea, ser a mãe do perdão, ser ridiculamente falha em controlar toda e qualquer sensação. É feminino empilhar cartas formando castelos que o homem, de um destempero, pode vir soprar. Para que, então, ela volte a reconstruir, chamando-o de casa dos dois.
Mas aconteceu de ventar por aquelas bandas um turbilhão de clarividências e obviedades. Foi quando ela, aquela outra e mais alguma enxergaram em si, no espelho, as virtudes do coração. E tiveram por urgente preservar aqueles punhadinhos de carne rara e exígua, tão única no mundo. Colocaram, então, a própria inteirença no freezer. E, desde então, de frio queimam quem sequer em pensamento ousa levantar-lhes a mão.
quinta-feira, 22 de março de 2018
Amigos.
- Me ama?
- Não posso.
- Por quê?
- Porque te quero eternamente,
demais para não enxergar gigantes pequenos desencaixes. Prometa sempre retornar
minhas ligações.
- Fechado.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Amanhã.
A menina viva catando aqui e ali. Malinando por entre os móveis. Procurando escondida por entre as coisas da mãe. Até que um dia encontrou: um sonho.
A menina e o sonho passaram, então, a estar juntos por todo o dia a brincar. Ela subia nas árvores do quintal e o sonho então lhe mostrava aonde mais poderiam ir, e mais o que haveriam de fazer.
Se ia à praia, eram dois a caminhar por entre coqueiros, e que coisas malucas planejavam comer, e alimentavam a alma fazendo castelos de areia no mar horizontal...
Naqueles dias, ela corria quilômetros, mas não pensava em perder peso. Lia livros, mas só porque gostava de ouvir histórias. Não guardava nem rugas nem disfarces, e gastava o seu tempo o mais perdulariamente possível, sem jamais se preocupar com isso de transcrever para a vida real as coisas que no peito ardem. Em tranquilo devaneio.
Até o dia em que alguém lhe perguntou se tinha um sonho. Desprevenida, respondeu que sim. Foi quando o sibilar venenoso do sorrisinho entredentes vindo da alheia boca a fez questionar os caminhos de si e do que almejava. Porque percebeu que lhe faltava o chão, foi caindo e se esbarrando em declives. Justo ela, que sempre voava tão alto.
Segurava-se, desde então, num galhinho por sobre o abismo. Quanto mais se esvaía a força nos braços e dedos, que já sangravam, mais implorava aos céus por socorro, por asas, ou por um gigante pé-de-feijão. Temia esborrachar-se e perder o encanto da vida.
Abaixo, aguardava-lhe a santa e nunca ansiosa sabedoria dos anos, com um espelho inoculador através do qual toda criança um dia enxerga em si um adulto. Refletida nele, a mulher descobriria a mágica de projetar e construir calculadas pipas. Com elas, aprenderia que a receita para superar alegrias é agregar valor às matérias palpáveis e comunzinhas franqueadas a toda gente: mesmo os talinhos, os barbantes e os papéis coloridos. Plantando no chão de terra essas mesmas coisas, a senhora colheria ainda multiplicados juros do riso de quem quem depois viesse.
A menina e o sonho passaram, então, a estar juntos por todo o dia a brincar. Ela subia nas árvores do quintal e o sonho então lhe mostrava aonde mais poderiam ir, e mais o que haveriam de fazer.
Se ia à praia, eram dois a caminhar por entre coqueiros, e que coisas malucas planejavam comer, e alimentavam a alma fazendo castelos de areia no mar horizontal...
Naqueles dias, ela corria quilômetros, mas não pensava em perder peso. Lia livros, mas só porque gostava de ouvir histórias. Não guardava nem rugas nem disfarces, e gastava o seu tempo o mais perdulariamente possível, sem jamais se preocupar com isso de transcrever para a vida real as coisas que no peito ardem. Em tranquilo devaneio.
Até o dia em que alguém lhe perguntou se tinha um sonho. Desprevenida, respondeu que sim. Foi quando o sibilar venenoso do sorrisinho entredentes vindo da alheia boca a fez questionar os caminhos de si e do que almejava. Porque percebeu que lhe faltava o chão, foi caindo e se esbarrando em declives. Justo ela, que sempre voava tão alto.
Segurava-se, desde então, num galhinho por sobre o abismo. Quanto mais se esvaía a força nos braços e dedos, que já sangravam, mais implorava aos céus por socorro, por asas, ou por um gigante pé-de-feijão. Temia esborrachar-se e perder o encanto da vida.
Abaixo, aguardava-lhe a santa e nunca ansiosa sabedoria dos anos, com um espelho inoculador através do qual toda criança um dia enxerga em si um adulto. Refletida nele, a mulher descobriria a mágica de projetar e construir calculadas pipas. Com elas, aprenderia que a receita para superar alegrias é agregar valor às matérias palpáveis e comunzinhas franqueadas a toda gente: mesmo os talinhos, os barbantes e os papéis coloridos. Plantando no chão de terra essas mesmas coisas, a senhora colheria ainda multiplicados juros do riso de quem quem depois viesse.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Em tempo real.
Ou as palavras me fogem
ou já as cansei de buscar.
Cansei de me perguntarem
comigo o que há.
Comigo, há o de sempre:
papel em branco, caneta aos dentes,
vivendo, sem graça,
na mais funda espalidão.
ou já as cansei de buscar.
Cansei de me perguntarem
comigo o que há.
Comigo, há o de sempre:
papel em branco, caneta aos dentes,
vivendo, sem graça,
na mais funda espalidão.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Sine qua non.
Meu amor de ontem
e de sempre,
prometa-me o futuro
ainda em nosso presente
Aceso a quatro mãos,
que o candeeirinho a fundir nossas almas
seja sagrado vulcão por aquele que queima
sem jamais consumir a ardente sarça...
e de sempre,
prometa-me o futuro
ainda em nosso presente
Aceso a quatro mãos,
que o candeeirinho a fundir nossas almas
seja sagrado vulcão por aquele que queima
sem jamais consumir a ardente sarça...
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Salgueiro.
Quando ela saiu de casa, o homem achou que não mais existia.
Ou: não fosse a dor, acreditaria. O anel no seu dedo esquerdo era a certeza que
tinha da vida. As promessas que fazemos nos constroem o chão, caminhamos por
cima dele e construímos planos. Sonhados. Desejados. Arquitetados. Apainelados.
Protegidos.
Como a filha.
Por isso, esperava que ela retornasse. Eram pais de uma filha, elo ao qual o homem zelosamente se agarrava, como a uma tábua de salvação. Velando. Cuidando.
Perscrutando. Alimentando. Levando e trazendo da escola. Não fugisse também.
A menina era a casca rasa da ferida purulenta do seu
coração. Sem ela, ele escoaria pelo ralo feito o esgoto onde estão as palavras
que falamos e depois desejamos nunca ter dito. As promessas que fazemos e
cobrimos inteiras de tacanho arrependimento. O chiclete mastigado e sem gosto que
custou cinco centavos. A etiqueta da roupa que já não usamos e de que nem lembramos mais.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Gamofobia.
Não só o jardineiro amava a rosa. Ela o amava. Desde em botão, junto às folhas e flores irmãs, ela saudava com sorrisos cotidianos. Queria ser sua. Sonhava em perfumar tão calosas mãos. Ele cuidadosamente removeria seus espinhos. Ela toleraria amorosas podas.
Era breve o amor. Não por não ser eterno, porque sempre o é. A vida é que é fugaz, especialmente para uma rosa, um serzinho que ele via mindinho, incapaz de sustentar a gravidade do mundo. Sem demora, o jardineiro a colheu, e poderiam então ser simplisticamente felizes para todo o sempre.
Só que aquela era a flor mais querida de todo o jardim (todas, à sua maneira, o são). Enamorado e detentor da efêmera eternidade alheia, o jardineiro passou a sentir-se malquisto pelas plantas do jardim. Sentia-se culpado por reter a flor ao invés de plantá-la galhada no chão. Achou que o jarro enfeitado e a água onde a retinha bem junto de si não tinham a firmeza de uma vida cravada em terra fofinha com minhocas e raízes.
Mas as plantas eram só plantas. É que a rosa era a mais fincada metáfora de um amor não ramado, retido só para si. Engravecendo-o em torno de si mesmo, enjoado por girar no eixo de uma angústia soterrada em seu próprio adentro. Amado e solitário.
Era breve o amor. Não por não ser eterno, porque sempre o é. A vida é que é fugaz, especialmente para uma rosa, um serzinho que ele via mindinho, incapaz de sustentar a gravidade do mundo. Sem demora, o jardineiro a colheu, e poderiam então ser simplisticamente felizes para todo o sempre.
Só que aquela era a flor mais querida de todo o jardim (todas, à sua maneira, o são). Enamorado e detentor da efêmera eternidade alheia, o jardineiro passou a sentir-se malquisto pelas plantas do jardim. Sentia-se culpado por reter a flor ao invés de plantá-la galhada no chão. Achou que o jarro enfeitado e a água onde a retinha bem junto de si não tinham a firmeza de uma vida cravada em terra fofinha com minhocas e raízes.
Mas as plantas eram só plantas. É que a rosa era a mais fincada metáfora de um amor não ramado, retido só para si. Engravecendo-o em torno de si mesmo, enjoado por girar no eixo de uma angústia soterrada em seu próprio adentro. Amado e solitário.
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