Tenho escrúpulos de partir o peru. Me aflige ver aquele corpo morto faltando uma coxa, o osso ali exposto, próximo à cebola.
Me envergonham os olhares da minha infância a milimetrar-me os passos, a apontar as estrelas que não consegui alcançar (e apostar que não conseguirei outras tantas!).
Me enrubescem os erros desse e dos passados anos - a realidade paralela da vida-que-poderia-ter-sido.
Me escancaram em lágrimas - escondidas ou escorridas - as pequenas piadinhas maldosas no amigo secreto. Aquelas que bem deviam permanecer ocultas e inaudíveis. (O mesmo se aplica à música da Simone.)
A você - que enfrentou esse bicho mesmo sabendo que ia doer, pelo querer bem à vozinha ou por gratidão pelas origens sobre as quais caminha: desejo um FELIZ NATAL. É feito de amor o menino da manjedoura. Todapoderosa e mansa é a mão que estende a quem dele se vale por auxílio para suportar grandes proximidades. É só ele quem socorre os que engolem sapos amorosamente - no trabalhoso exercício de um imperceptível milagre.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
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