Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé,
procurando o outro sapato.
Atrasada até para passar o café,
tem no encalço uma pequena filha contestadora-de-nãos
Opa, já sumiu.
Talvez a encontrem pondo a roupa pra lavar,
Ou tenha finalmente chegado no serviço
- peço a delicadeza de não reparar nas unhas
nem no atropelo da maquiagem.
Hoje, pode ser que ela não pinte as cores do dia com palavras.
Vai que madrugou ordinariamente fazendo contas, ou certificações técnicas,
ou só lembrou de esquecer.
Mas aqui jaz.
Reguem com um pouco de tempo.
(A compostagem segue a decomposição)
Ela espera o luar, sorve a brisa, aguça a vista e afia os sentidos.
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