Quando ela acreditou que ele a amava, tratou logo de cavar buracos naquele coração. E de fincar estacas, e construir paredes. Instalou pessoalmente a tubulação, os fios da energia, as tomadas. Comprou piso de cerâmica. Encomendou cortinas cor-de-rosa pela internet. Pediu à mãe que bordasse, em ponto de cruz, uma toalha para a mesa de vidro.
Era pleno o amor, e dia após dia transcorria sua construção. Meticulosa ela, batia sempre bem os pés no chão, pisando forte ao caminhar. Para acreditar que era sólido. E para espantar o fantasma do olvido. O qual, diziam, causaria rachaduras nas paredes, amados tijolos.
Ele sorria sempre, de tanta meticulosidade. Afinal, tão certo quanto o chão é chão ele a amava. E o céu era azul de cuidados e certezas.
Foi quando sobreveio o terremoto.
E podia ser pior porque, na verdade, ela e ele sobreviveram.
Mas a Terra não era mais Pangeia, e já cada um morava em um novo continente.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
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