domingo, 20 de julho de 2025

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé,

procurando o outro sapato.

 

Atrasada até para passar o café,

tem no encalço uma pequena filha contestadora-de-nãos

 

Opa, já sumiu.

 

Talvez a encontrem pondo a roupa pra lavar,

Ou tenha finalmente chegado no serviço

- peço a delicadeza de não reparar nas unhas

nem no atropelo da maquiagem.

 

Hoje, pode ser que ela não pinte as cores do dia com palavras.

Vai que madrugou ordinariamente fazendo contas, ou certificações técnicas,

ou só lembrou de esquecer.

 

Mas aqui jaz.

 

Reguem com um pouco de tempo.

 

(A compostagem segue a decomposição)

 

Ela espera o luar, sorve a brisa, aguça a vista e afia os sentidos.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Licença-saúde.

Minha mente tem espaço e gavetas, mas é bagunça o puro suco do meu coração.

 

Tem amor. Um resto de orgulho engolido, que ficou por ali, engordurado. Mágoas esquecidas, como remanescentes tampinhas de garrafa KS descartadas há um milênio. Machucam o pé.

 

Tem culpas. Enormes. Por coisas que nem fiz. Por não ter dado ou por ter fixado demais a atenção. Por não ter segurado e também por ter soltado a mão.

 

[Não. Quando. Quanto.] 

 

Na falta de ré, sobe a poeira táctil da imaginação - espirra, tosse, escarra.

 

Bombeia esse sangue em meu corpo. Me bombardeia. Faz-se onda a querer invadir o andar da organização. Ou leite que ferve.

 

- É caso de faxina. Sou eu. É comigo. Mas digam no RH que foi virose!

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...