No dia em que ela acordou sem poesia, o cinza espalhou-se pelo quarto, a começar pela fresta por debaixo da porta. No buraco da chave. Por fim, abriu o trinco e entrou.
Foi quando, ao levantar do quarto para o banheiro, a mulher refletiu absurdamente o grito surdo de Edvard Munch no espelho das manhãs. Que se estilhaçou em cacos, que se precipitaram suicidamente ao chão, perto da privada.
E assim se explicam surrealmente os quantos anos de azar que a entregavam às segundas-feiras inevitáveis, ordinariamente cinzentas e literais.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Amém!
A distância
é a prova de amor última
de quem um dia não quis amar menos
e a maior prova de respeito
de quem no fundo nunca amou.
é a prova de amor última
de quem um dia não quis amar menos
e a maior prova de respeito
de quem no fundo nunca amou.
domingo, 1 de outubro de 2017
Além, muito aquém.
Setembro e suas manhãs passaram varrendo a calçada e cada esperança de um coração. Qual balões, uma a uma, voaram bufadas pelo vapor quente. Restou o chão, deserto e árido, que já estava lá. Ainda assim, tinha florescido.
E o que se ressente é por pura saudade. Que, do mais, já tapei a boca para nem mesmo falar.
Sem setembro, entardece em mim. No fim da linha, restamos sempre um só. Irmanados. De vez em quando, isso é tudo. No ponto do casear dormente do amor, em que pese o desalinhavado.
E o que se ressente é por pura saudade. Que, do mais, já tapei a boca para nem mesmo falar.
Sem setembro, entardece em mim. No fim da linha, restamos sempre um só. Irmanados. De vez em quando, isso é tudo. No ponto do casear dormente do amor, em que pese o desalinhavado.
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