Não era culpa dela. O homem levantou a sua voz de homem para agredir a mulher porque ela lhe mostrou o que ele não queria ver.
Machucada, a ela faltou espaço onde colocar o pus da alma, que extravasou em lágrimas de garganta seca. E, por ausente a literalidade, ninguém pôde ver as palpáveis lesões em sua cara, só porque era mulher.
Afinal, é feminino ser etérea, ser a mãe do perdão, ser ridiculamente falha em controlar toda e qualquer sensação. É feminino empilhar cartas formando castelos que o homem, de um destempero, pode vir soprar. Para que, então, ela volte a reconstruir, chamando-o de casa dos dois.
Mas aconteceu de ventar por aquelas bandas um turbilhão de clarividências e obviedades. Foi quando ela, aquela outra e mais alguma enxergaram em si, no espelho, as virtudes do coração. E tiveram por urgente preservar aqueles punhadinhos de carne rara e exígua, tão única no mundo. Colocaram, então, a própria inteirença no freezer. E, desde então, de frio queimam quem sequer em pensamento ousa levantar-lhes a mão.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
segunda-feira, 18 de junho de 2018
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