Um dia, o mar se apaixonou por uma onda, mas deixou que ela passasse. Desde então, repetia sempre a mesma receita de marés e quebradas, mas a vaga que se tinha ido não retornaria jamais. E mesmo que voltasse, o que ele poderia esperar? Mudam-se os tempos e a vida e, sem promessas, transformam-se os afetos. Apenas o passado guarda o mistério de qual amor deveras foi ou não correspondido.
O mar retinha consigo doces lembranças. Como a onda refletia o céu, como sumiu na areia fina. Mas, de chorar, as salgava com lágrimas numa amplidão sem fim.
Na praia, a mulher de olhos envidraçados reparava mais uma onda apaixonada surgindo sem que o mar a fosse bem-querer jamais. Repetição que era - imperfeita e esquálida - da ideal de outrora. Desexistiria com a desolação de quem não conheceu o amor, sem sequer reparar no surfista que sobre suas águas se lançava com a alegria de quem encontra beleza e perfeição maior. Alheia, fora a única entre tantas, para ele.
Entre suspiros, a mulher não entendia por que o gingado do surfista eternamente em looping no seu coração lhe escapava no fim da tarde, carregando-se para fora do mar com a prancha. Ou por que razão, se incontestavelmente eterno, aquele verão não poderia durar por todo o sempre.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
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