domingo, 25 de outubro de 2015

Uvas verdes.

- Você precisa de mim?
- É claro que preciso, preciso imensamente...!
- Precisa mesmo?
- Preciso de você mais do que o ar e a forma, você é meu motivo...
- Eu...
- ...
- ?
- ...
- ???
- Eu acho que não preciso de você.
- Ah, então nunca te precisei!

domingo, 18 de outubro de 2015

Unrecyclable London.

And yet, she sought a true love. Like an old storie’s love. Though all she had was uninspireness and narrowness. On a 21st century world of fast lovers that divorced dreams.


The girl gets her train and pretends to unsee everyone. Through bridges and tunnels. The free newspaper in her hands brags some tragedy while she sips a coffee, grabbed somewhere, hoping it would warm her way to elsewhere. Maybe there were mice down on the rails. Searching and searching some treasure on the dust. So was she.

Unhelpfully. For mice would find their aims in the garbage. But love was nor paper, plastic, metal or glass.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Travessuras ou gostosuras.

O doce no pote em cima da geladeira pertencia a quem o amava por direito: a pequena garotinha. Por ele, ela comia toda a salada. E engolia o choro depois da briga com o irmãozinho. Esperando impacientemente os braços da mãe ou do pai para alcançar a distância que ela mesma não conseguiria transpor. O doce em seu sangue era a corrida feliz, o néctar que alimentava sua sede de aventuras travessas. Como a de empilhar cadeiras para se agigantar. E quem sabe arrancar o tal pote lá de cima.


Como de costume, o irmãozinho passou de inimigo contumaz a fiel escudeiro da garotinha. Sentado à porta da cozinha, para evitar o flagra de um tal ato de bravura e independência da irmã. O doce pertencia às crianças. Era o que a menina repetia a si mesma. Não haveria mal algum em tomar para si o que se tem.


Exceto porque o que temos de nosso são apenasmente as escolhas que fazemos e o que delas nos advém. E digo isso no exato momento em que menina e doce se estatelam no chão. As formigas e moscas comeram tudo, no final. Além da lixeira - mas essa come até casca de ovo e lata de sardinha. O choro da garotinha, os cacos de vidro, o grito do irmão, a bronca da mãe e do pai foram uma confusão só, que eu prefiro nem contar.

Mas o certo é que, com o tempo, a garotinha cresceu e conseguiu alcançar aquele e outros tantos potes da cozinha. E descobriu que sempre é possível haver um outro pote mais alto ainda, não importa o quanto se cresça. E que não tem escada que suba mais alto no mundo do que toda a coragem cristalizada num coração que aprendeu a fazer calda e merengue de paciência.

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...