domingo, 8 de março de 2015

Rasteirinha.

Ser mulher é uma missão. E não escolha. Significa pertencer a um pedaço de mundo no qual ser funcionária padrão, a chefe, ou a melhor aluna da classe não fazem a mínima diferença – por mais benefícios que possam trazer – no quesito tarefa cumprida. Implica em carregar no peito a necessidade diária de surpreender, existindo como elo de ligação entre a raça humana e as verdades mais evidentes. Como o reconhecimento da necessidade primeira de afeto, por si e por todos. E a de criar asas. E raízes. 

 Uma mulher nunca está sozinha por opção. São coisas da vida. Que acontecem, quase ou sempre, para que ela ultrapasse as próprias limitações e aprenda a ser invariavelmente libertária e doce, cada vez mais, não importando a que preço. Aliás, uma mulher não se preocupa seriamente com o preço quando se trata de bem de valor imensurável. Como a autodescoberta. 

 Porque a dor. Amargura. A martelada que seja. Perfuram no coração da mulher poços insondáveis de humildade. Subterrânea nela. Que se sabe, ou se adivinha, pequena ante os mistérios que lhe destemperam o ânimo. Ou geram vida. À uma. 

 Existir é a tarefa mais desafiadora que uma mulher pode receber. 

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...