Ser mulher é uma missão. E não escolha. Significa pertencer a um
pedaço de mundo no qual ser funcionária padrão, a chefe, ou a melhor aluna
da classe não fazem a mínima diferença – por mais benefícios que possam
trazer – no quesito tarefa cumprida. Implica em carregar no peito a necessidade diária de surpreender, existindo como elo de ligação entre a raça
humana e as verdades mais evidentes. Como o reconhecimento da
necessidade primeira de afeto, por si e por todos. E a de criar asas. E raízes.
Uma mulher nunca está sozinha por opção. São coisas da vida. Que
acontecem, quase ou sempre, para que ela ultrapasse as próprias limitações e
aprenda a ser invariavelmente libertária e doce, cada vez mais, não importando
a que preço. Aliás, uma mulher não se preocupa seriamente com o preço
quando se trata de bem de valor imensurável. Como a autodescoberta.
Porque a dor. Amargura. A martelada que seja. Perfuram no coração da
mulher poços insondáveis de humildade. Subterrânea nela. Que se sabe, ou se
adivinha, pequena ante os mistérios que lhe destemperam o ânimo. Ou geram
vida. À uma.
Existir é a tarefa mais desafiadora que uma mulher pode receber.