domingo, 28 de junho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Conselho.

Os sentimentos são coisas coloridas que saem de dentro das pessoas queridas e entram-nos pelo nariz, conquistando tudo que há por dentro. É doce sorrir, perder o sono ouvindo confidências, é doce até mesmo chorar por quem se quer bem.

O perfume de quem se ama não tem validade. Com o tempo, melhora. Fica mais complexo e encorpado por muitas camadas vivas tão únicas. Do profundo amadeirado ao cítrico faceiro; ou floral, com um toquezinho de canela. Ou banana. Ou qualquer outra coisa, triste ou feliz, que, pensando bem, faz um cheiro bom.

Exceto quando fede. Mas aí é porque a pessoa querida se mudou e esqueceu de avisar, e ficou só o corpo respirante dela por aqui. Você sabe como os amigos podem ser esquecidos! Com certeza, ela está em algum lugar, cheirando as flores mais belas. E esse em que se tornou seu antes querido, bem, eu não sei. Mas não mexa com ele. A menos que esteja preparado para o apocalipse zumbi...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Tarde.

A gente nunca alcança o fim da estrada. Ele, sim, é que nos alcança. Um a um. Sem jamais sabermos como e quando. Se vai dar tempo ter um filho. Ou ver um neto crescer. Se vai dar tempo conseguir aquele emprego (é preciso tanta teima!), de chegar a casar com aquele namorado.

Se vai dar tempo montar um castelo de cartas para, então, assoprar. Encher e chutar tantos baldes de nós mesmos. Que a vida é matéria, e também se gasta. Aos muitos ou aos poucos, todo mundo acaba.

E o mais não sei dizer. Do fim, não conheço. Que das ruas que em mim correm, beiro à calçada.

domingo, 7 de junho de 2015

Peso de papel.

Por entre as memórias,
um arrepio guardado.

De propósito.

Entre o querer intangível
e o querê-lo inatingível.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pedreiro.

Então, ele fechou os olhos e seguiu. Sem jamais olhar para trás. Até porque quem o guiava dizia ser a hora. E ele não saberia, por si só, o caminho, se acovardasse. Além do mais, odiava hospital, cheiro de UTI, odiava aparadeiras e fraldas geriátricas. E as picadas, e os soros, e aquela falta de ar e sol.

Não seria triste pensar na vida inteira que havia sido. Errou e acertou. Conseguiu a graça de construir um saldo feliz, um mundo para filhos, netos, bisnetos. E um bom nome para carregarem. O prenderiam as pontas soltas e miúdas por continuar, as atas e mangas do quintal, a liberdade que os anos emprestam aos velhos para falarem o que bem entenderem. E tanto mais os filhos haveriam de escutar, e os genros, e as noras. E tantas teimas a senhora haveria de suportar. Sobretudo, pela senhora. Por ela, não seria prudente espiar por trás um segundo sequer. Um só pensamento poderia magnetizá-lo de volta. Para o mundo dos que não morrem nem vivem. Pois o certo é que sua vida fora esvaída do aqui...

E levada para além do tempo, onde somente os corajosos e fiéis podem chegar. Não existe choro nem lágrima na morada eterna. Construíra um chão para tanta gente nessa terra que era preciso oferecer seus préstimos também ao Autor do mundo. Desmediria-lhe a alegria de ajudá-lo na obras da mansão celeste - uma em que coubessem todos os de coração puro - projetada por Deus desde sempre.

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...