Não só o jardineiro amava a rosa. Ela o amava. Desde em botão, junto às folhas e flores irmãs, ela saudava com sorrisos cotidianos. Queria ser sua. Sonhava em perfumar tão calosas mãos. Ele cuidadosamente removeria seus espinhos. Ela toleraria amorosas podas.
Era breve o amor. Não por não ser eterno, porque sempre o é. A vida é que é fugaz, especialmente para uma rosa, um serzinho que ele via mindinho, incapaz de sustentar a gravidade do mundo. Sem demora, o jardineiro a colheu, e poderiam então ser simplisticamente felizes para todo o sempre.
Só que aquela era a flor mais querida de todo o jardim (todas, à sua maneira, o são). Enamorado e detentor da efêmera eternidade alheia, o jardineiro passou a sentir-se malquisto pelas plantas do jardim. Sentia-se culpado por reter a flor ao invés de plantá-la galhada no chão. Achou que o jarro enfeitado e a água onde a retinha bem junto de si não tinham a firmeza de uma vida cravada em terra fofinha com minhocas e raízes.
Mas as plantas eram só plantas. É que a rosa era a mais fincada metáfora de um amor não ramado, retido só para si. Engravecendo-o em torno de si mesmo, enjoado por girar no eixo de uma angústia soterrada em seu próprio adentro. Amado e solitário.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
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