terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Pela estrada afora.

Ela previa o final das histórias e sentia que aquele seria lindo e pleno. Quando, depois da página 20, inventou que deveria também ser temprano para ser tempestivo. E encasquetou de encontrar um atalho para si própria.

A busca pelo caminho curto consumia-lhe dias e noites. Virara a razão principal do seu curso. O motivo pelo qual parou de trabalhar, de comemorar datas, de sorrir com os amigos. Era preciso ter prioridades.

Em algum ponto nas curvas floridas do caminho longo, o amor a esperava. Junto com tudo aquilo que realmente importa. Mas ela buscava um atalho, e a certeza da existência das almejadas finalidades belas no caminho longo não poderia importuná-la neste primeiro, custoso e sobrepujante mister.

Um dia, ela cansou de se dar inteira ao meio. Talvez no mesmo dia em que o fim cansou de esperá-la, na oposta direção certa. Então, descobriu-se escassa, rasa e tonta, tentando dirigir a vida como quem, em uma curta pista, roda num carrinho de bate-bate.

Bate-batendo o coração.

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