domingo, 14 de fevereiro de 2016

Mau humor matinal.

Ela poderia não abrir a janela. Mas, se abrisse, o vento da manhã a invadiria com as certezas mais irrefutáveis. Docemente. Ao grasnado dos passarinhos.

Seus olhos fechados tentavam construir pesadelos. Ainda inebriados de uma turvez noturna. Qualquer coisa seria melhor do que acordar e contar as calorias do cereal, ou lembrar do chefe.

Mas é que lá fora, enquanto o sol esquentava os carros que evaporavam os segundos parcos do dia no vai-não-vai dos sinais de trânsito, reinava rotineiro o azul do céu. Em animada animosidade. Como quem reclama do preço daquilo que sabe que nunca vai faltar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...