No espelho, a barriga lisa fingia instante esquecer o pensar num filho. Pois é matéria demasiado complicada comer manias e paixões e ao fim pesar, por dentro, a sustança do feijão. Os filhos só conhecem a porta da frente, e atravessam medos e limites nossos, dedo em riste, querendo vida e mais vida.
A eles não se engana dando comida ao invés de alimento. Tampouco se interessam por livros a menos que sintam de você que podem fazer história. Filho é uma batida que começa a pulsar dentro, mas que depois ultrapassa tudo no mundo.
No quarto cinza, por entre projetos engavetados e estantes de sonhos empoeirados por décadas, haveria um filho. Mas, para então, era preciso que a mulher despertasse do rotineiro transe da mesmice e transformasse tudo em si numa única cor viva de verdade. Para, pintando, desgastar-se amorosamente, como óleo em tela, até acabar.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 28 de fevereiro de 2016
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