A dor - sabia o faquir - vinha de um ponto único, um espinho cravado no entorno da alma. Não de todas as desgraças literalmente juntas, como os pregos da sua cama.
Ali, reunidos, eles não eram nada. É preciso certa dose de calmaria despretensiosa e de coragem ruminada para sentir dor. O faquir não saberia doar-se a um único machucado, por isso tinha a vida que podia suportar. Passava seus dias sob a sombra resistente da resignação. Não ousasse ele ter um amor. Um sonho. Ou deixar-se seduzir por qualquer expectativa específica. E o fogo não o queimaria. Nem jamais lhe perturbaria o cravar das lanças.
Na rua, a viver do que sobejava dos bolsos dos passantes, o homem que lambia espadas subvertia a nevralgia a um ponto ao qual os corações doloridos que desavisadamente o encontravam desajariam ardentemente alcançar. Mas isso antes de desesquecerem em cada lágrima a réstia indelével do amar...
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 6 de março de 2016
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Poema de Halloween.
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