Era Páscoa, e o moço da Galiléia andava pelas bocas que resmungavam o preço do peixe e do chocolate - falantes mausoléus de uma festa sem lágrimas. E incomodava.
Que houvesse sofrido. Existido. Que fosse mesmo santo, abnegado e o próprio amor. Perturbava nele crer ou descrer. Com pequenas maldades, as pessoas da ruazinha enforcavam o Judas. Ou pelo desejo quase sentido de honestidade e austera justiça, sob a prerrogativa de tê-lo paramentado como os corruptos da ocasião, réus julgados e condenados informalmente à pena máxima pelos populares.
E assim, enterrando-se o homem que só sabia perdoar, festejavam aqueles que de sacrifícios compassivos só queriam esquecer - enquanto o ano seguia, umbiguesmado, aos reclamos da política e do futebol.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 27 de março de 2016
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