segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mortalha quentinha.

O gosto do passado era doce e ensolarado, mas teria no fim o amargor da decepção mais leviana. Posto que, naquela noite, ao fechar-lhe o portão o costumeiro amor, seus olhos escuros esvaziaram de si tudo que era essência, mudando passivamente de cor para um raso gélido adiante outrora inimaginado.

Definitivo, o fim pairava. Como guerra pressentida em Berlim. Sem que houvessem máscaras de gás.

Entre a asma e o latente suspiro, ela questionava a lua. Que, enlutada, preferia não se pronunciar. Tramando consigo colar ainda os cacos de amor. Ou tecer-lhes a memória, com os mais puros fios grisalhos, numa colcha de belíssimos retalhos.

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