Era de partir o coração que a aurora (desapaixonada) não aparecesse ali para desfazer tamanho mal-entendido. Talvez porque não fosse um mal-entendido. O barquinho bêbado e trôpego sairia em missão de busca e resgate do seu grande amor mesmo que fosse tarde, todos sabiam. Queimava-lhe, denso e escuro, o raivoso ziguezague do mar. Doía mais que água-viva.
O barquinho trôpego e louco deixava-se bolar pelas ondas de soda cáustica, cegamente vagando. No perquirir notícias de um ensolarado idílio já findo, arranhava-se entre pedras e cascalhos, até perder a esperança. Atingido pelos relâmpagos da tempestade. Sucumbido pelas grossas, pesadas e amargas balas de gota d'água, que o sacudiram, redemoinhas. Escurecendo-lhe o nariz.
E até amanheceria. Só que, daquele barquinho, não restaria mais nada. Não em sendo ele assim, como era. Passional e inconsequente.
Era de doer. De partir o coração. Que o barquinho se tivesse deixado estar tão aturdido, rouco, louco e remexido.
Inexorável, irredutível.
E morto.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quarta-feira, 20 de abril de 2016
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