Porque o fardo que trazia consigo a cansava, nem sempre os dias eram fáceis. Às vezes, quando levantava rápido demais, era preciso urgentemente respirar fundo em sua sede para aclarar a vista. Ao que ela disfarçava a tontura, com um sorriso opaco. Noutras, simplesmente o peito a abafava. Para que não gritasse. Nem rasgasse as páginas todas do seu calendário a cada nova ou velha agonia resiliente. Como uma mordaça.
Certa noite, cabeça no travesseiro, o peso que carregava sufocou-lhe os pensamentos. Seus despertos olhos fechados preferiam não enxergar a dura cama, que a trocava de posição com supliciosa ginástica de culpas. Ela ainda buscava ocupar a mente contando ovelhas, mas temia que, juntamente consigo, todas despressurizassem. Sucumbindo ao medo e ao horror.
Por último, em sobressalto, acordou a luz, e então chorou. Foi quando, às preces, o céu se abriu, em forma de leão. O senhor da fúria e da paz a colocou para dormir - lá fora explodiam bombas e mísseis - e então a marcou solenemente com sua pluma, e pintou aquela manhã de amarelo e azul, e todas as outras.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 7 de fevereiro de 2016
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