terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dualidade.

Havia duas estradas que levavam a um destino só: a caminhada. No entroncamento, o desavisado viajante parou. É que lhe torturavam as incertezas do seguir. E se. Porém. Aquém. Apenasmente. O chão eram formigas que insistiam em seu trabalho, vazias a divagações alheias. Adivinhadoras da inutilidade de concentrar esperanças e expectativas na estrada. Peregrinas, por saberem que não era esta, e sim a caminhada, que percorreria o destino.

Passou um louco, solto de pensamentos e desconexo de reflexões. Doidivagando por qualquer estrada. Um sábio entendeu a encruzilhada e seguiu reto, a passos confiantes, na mesma direção do louco, para estranhamento do viajante. Uma mulher passou com o marido pela outra estrada. Na verdade, ela sequer reparou por onde seguia, deixando-se guiar pelo homem no mais livre arbítrio. É que olhava para o céu e para a paisagem. Ralhando de vez em quando com as crianças, para que aquietassem a mania de perguntar-lhe desmotivos. Ensinava-lhes que era certo e doce o caminho do amor. Em qualquer situação.

Acima, as nuvens trocavam de uma figura para outra, pois todas serviam, a cada vez que o viajante pedia aos céus uma pista. Como respostas aleatórias de um oráculo imaginário e azul de certezas. As quais, em seus medos, ele invertia na mente, fantasmagando-as. Plantadas, algumas não-me-toques se ouriçavam com o movimentado pensamento errante do viajante empacado. O qual, quando afinal escolheu um lado, o fez depois de tanto tempo, e seguido de um raciocínio tão turvo, que o dia ficou tarde e velho demais. E anoiteceu.

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