O mundo entrelaçava-se de tal forma à mulher que ela tudo sentia. Para desespero do marido, que solicitamente sempre arrancava da rosa os espinhos. Ainda assim, as mãos da mulher doíam.
Todas as manhãs, ele fazia a feira. Uma vez ao mês, comprava-lhe roupas novas. Nas ocasiões especiais, trazia joias. Mas ela permanecia magra, maltrapilha e endividada.
Um dia, o homem ferido e decidido resolveu tapar todos os ralos da casa para não haver por onde escoar tanto segredo.
Viu passar pela cozinha um rato. Ela lhe deu todo o queijo. Viu passar pela janela uma mendiga, ela lhe deu todas as roupas. Viu um cão, para ele a carne. Viu um gato, para ele o leite. Para a vizinha, os doces. Para a visita, as frutas. Para a caridade, as joias, mantas e cobertores.
O homem olhou ao redor de si, na casa vazia, sem entender o que a mulher faria com ele mesmo, afinal. Mas, quando se virou, já não conseguia enxergá-la. Até um dia, quando, escovando os dentes, ao se ver num relance de espelho, encontrou-a cravada em suas costas.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 13 de dezembro de 2015
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