Foi quando pediu ao namorado que matasse a barata, e ele não matou (alegando que se escondera debaixo do sofá), que a agonia noturna por conhecer a existência de um perigo viscoso e próximo cresceu. Invisível.
Tique-taque.
Inerte, o homem despediu-se caminhando rumo à praça, seguindo para o outro lado da cidade no ônibus das onze. Deixando-a a sós com o algoz, a chinelos limpos.
...
Na penumbra, a solidão da mulher a restava. Fugida do sono pelo coração, o qual arguia que colocar a cabeça no travesseiro seria como fechar os olhos para o conformismo gigante que sapateava na sala. Ou dar razão aos que se escondem nos cantos, que se esgueiram nas preguiçosas brechas das desculpas. Aplaudir a quem nunca apóia a revolução.
Então, o baygon que ela de si espremeu matou a noite, a barata, o rapaz e todos os seus emplastos.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
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