sábado, 3 de janeiro de 2015

Sorine.



E foi na quina de alguma pedra dessas que nascem entrecaminhos: ele perdeu a fé. Mas ainda existia, e o mundo era composto da mesma matéria, só não havia o porquê.

O vento quente e empoeirado cobria as raladuras da queda. E o rapaz engolia a sede, já que não cria em água ou cálice. O caminho, de sempre o mesmo, desdobrava-se-lhe em cansaço por causa do calor do dia, na cabeça o sol de rachar.

A atmosfera agora tinha um peso esmagador. O ar que entrava parecia ser o mesmo que saía do nariz, pois nada possivelmente seria novo, tudo revolvia de si para si em vômito, asmático-ruminante.

Os problemas resolviam as soluções, apagando os pontos finais; que viravam reticências, vírgulas e travessões... Num roteiro censuravelmente trágico.

Foi quando ele começou a ver graça em coisinhas pequenas daqui e dali, como frestas de luz. Inusitadamente. E a vida era então o cuidado de ler um livro que nos entende bem.

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