Ela fixava o papel como quem tinha o que dizer, mas esperando que ele o fizesse. Desviava o olhar, como quando mentindo. E depois voltava, inexorável, para onde antes - interpretando saber, mas escondendo para trás de si o sentimento indecifrável.
O papel esperava. Não porque quisesse; era sua missão. A paciência é virtude que vence os maus hábitos por simples teima. Impessoal e despassional.
O sentimento descia pelos olhos, via o papel, e voltava. Não queria estar nu.
Até que, por pura curiosidade, colocando um pé e depois o outro, a mão, e enfim molhando o cabelo, deixou-se nadar por inteiro na palidez dos versos. Descoberto.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
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