domingo, 8 de novembro de 2015

Ponte.

Ele estava em todos os lugares, mas ainda assim era imperioso não perder a magia dos encontros marcados. De uma a três vezes por dia. Especialmente aos domingos.

Naquele, por exemplo, como em todos os outros, o Senhor da vida estaria no lugar marcado curando feridas e jorrando água para os sedentos. Mas ela estava longe demais para encher os olhos dessas visões. Grudada no breu da irrealidade dadaísta para onde seus próprios pés a haviam guiado. Buscando lentilhas. Tentando não sentir (e gritando!) a falta de ar, água, luz, de si, e dele. Que, desapercebido, estava com ela até mesmo ali. Como em qualquer outro lugar. Desde o dia em que a tatuou no espírito com sua marca indizível.

Os pés presos petrificavam-se com o piche. Mas a quem sente saudades do Motivo, desesquecendo sua voz, nem mesmo o delírio persuade com mentiras tormentosas. E, porque era grande a fome de alimento, força e razão, ela desejou comer. Então, ele a propulsionou de volta a si mesmo de uma tal distância sideral, pelas asas da fé, moído e traspassado pela ressurreição de toda vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...