domingo, 1 de novembro de 2015

Lapso.

O motivo era simples: ela esqueceu de respirar.

Inchado, o peito sufocado buscava ar nos pulmões. Enquanto os olhos fixos em um mesmo e só alguém enxergavam apenasmente, já não mais enviando ao cérebro qualquer registro de um passado que pesava. Pareciam olhos de peixe morto no prato, com um incerto brilho esvidraçado.

Ressabiado, o estômago se recolhia em presságios, aos embrulhos.

O coração batia mais lentamente porque às vezes nos atrapalhamos, quando alarmados.

Agora, a visão se distorce, turvando de luz contornos sombrios.

Os braços se sentem desesperadamente sós: como nunca.

- Mas a lua e os anjos são testemunhas. Eles bem sabem que não é possível. Que não há de ser amor. Tudo não passará de uma displicência boba.

(O ocorrido foi que, esvaindo de si o ar do ressentimento, a enamorada esqueceu de puxar de volta o respiro expirado. Atingindo contra si mesma uma flecha que assassinava orgulhos e feria rancores. Por, imperdoavelmente, perdoar...)

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