domingo, 16 de agosto de 2015

Fim de tarde na Maranhão.

A cidade era correnteza forte que levava os carros de lá para cá, e de cá para lá. Maré que engolia as pessoas mais e mais para dentro de si. Descascadas.

Na avenida Maranhão, o Parnaíba escorre nos olhos de um outrora pescador que um dia já amou ver as cores bronzeadas do céu despencarem na água, da canoa. Agora, troca e vende vales. Sem mais confiar a escassos peixes magros o sustento. Da angústia de não ser tudo que não era, ou de desconhecer o que jamais estudou. Tristeza mais funda que o rio ilhado de areia.

Na calçada, alguém rabiscava, de caneta, um desenho sem paisagem. É que lhe amargava não ter o que não tinha, e a fraqueza queimava-lhe em pó a dor e o amor.

Outro alguém, apressado, voltava algures para procurar algo que perdeu, ou esqueceu.

A caminho da parada de ônibus, uma mulher reclama da sandália que quebrou, por tiras cansadas de tanto caminhar.

O pescador vende água, biscoito e chiclete de menta também.

Ele ainda vai escutar carros e motos passando, e buzinas, e resmungos, antes de tudo adormecer. Para, em seguida, despertar prontamente com o noticiário de um novo dia que nunca começou realmente.

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