A menor das crianças se sentia grande quando em seu colo a tomava o pai. Dele, puxava barba e cabelos. O mundo, enfim, era algo que se podia domar. E crescia sempre.
Para o colo, aprendeu a puxar os fantasmas que se escondiam debaixo da cama, ou atrás do armário. Para ali, foi puxando algumas decepções e um bocado de expectativas.
Então, o colo do pai já era um lugar gigante, onde cabiam raiva, dor, amor, sufoco e tudo mais que pudesse existir... Condensava-se tudo em uma só matéria, que os que conhecem entendem bem: confiança.
Porque teve colo de pai, um dia a criança cresceu e soube dar colo a seus filhos também. Não faz muito tempo, o pai descansou de tanto ar o coração, deitando na terra. E em seu colo a criança chorou. E chora ainda hoje, quando se distrai.
É que o colo de pai restou plantado. Tem do tronco raízes e galhos bem ramados, e abraça forte a todo aquele que precisar.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 9 de agosto de 2015
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