Um dia, uma gota única de chuva molhou a terra. E, porque era só uma gota, dela germinou uma semente bem pequena. Que, curiosa, por fim saiu da terra, esticando os olhos em suas folhinhas para espiar ao redor. O mundo era demasiado quente, e então a plantinha quis abanar-se. Fazendo um movimento bonito. Que a florzinha ao seu lado imitou. Num improvisado balé. Animado, o grilo compôs uma batucada para percussão.
Era a maior das descobertas para a plantinha, que estava longe de alcançar a perfeição de um Bolshoi. Na verdade, seu farfalhar era bastante desengonçado. Ela quase não tinha galhos. A florzinha ao seu lado não passava de uma coisinha, assim, muito minguada. E ao grilo só aceitaria acompanhar em canto o sapo. E isso, enquanto controlava o pensamento de o engolir. Afinal, a fome às vezes não faz lá grandes exigências.
Mas, ao se agitar, a plantinha imaginava o requeleque da copa mais armada. Seus amigos principiantes a tinham por mestra experiente. E, agora, que todos façam silêncio. Pois que vem passando pelas bandas de cá o Crítico, com seu crivo de cerdas de espelho cortantes...
[!!! ... ... .]
Desolada, a plantinha começou a murchar. A florzinha perdeu algumas pétalas. O grilo foi, enfim, engolido pelo sapo. Seria demais achar que todos sobreviveriam a um crivo tão espelhado. Que, ainda por cima, achatava e engordava aqueles que criticava. Cria o Crítico haver, naquela pequenez, galhos que pudesse podar. Picotando, sem dó, umas vidinhas tão tenras.
Ferido de dor, o céu chorou uma chuva desfibriladora. Mas, para o Crítico, isso não haveria de ser remédio nem castigo. Já não há mesmo com que se comova quem não tem um coração.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
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