No final do arco-íris, ao invés de pote de ouro, tudo que a sonhadora encontrou foi um velho par de sapatos. Surrados e apertados. Com um solado que parecia descolado e colado outra vez. Então, chorou. Não é fácil caminhar anos de volta sem algum consolo nas mãos, a que se possa tocar. E já de nada vale a experiência para quem não tem novos desafios.
O sol era árduo. Por mais colorido que estivesse, o céu fazia-se preto ou branco. Da cor do vazio. Os amores e encantos, se outrora, soavam a mais improvável das liras.
Amarrados um ao outro, os cadarços do sapato uniam os pés que se arrastavam pelo chão, reduzindo em tamanho suas passadas. Eles estavam sujos de estrada, pois a cada pisão o solado esfacelava o asfalto em pedrinhas de piçarra. Desfazendo a pista. Tal qual o tempo fazia com ela, a cada desaniversário. Desfiando-lhe a vida. Em breve, tudo o que restaria de tanto cansaço seria matéria-prima. Esperando para decompor ou recompor, a depender de ainda remanescer-lhe a vontade última de ainda querer. E, por hora, esse foi o último relato de que se teve notícia.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 30 de agosto de 2015
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