O escritor amava a Arte. Moravam juntos. Tinha-na por sua. Juramentada em versos testemunhados por mim, por você e por todos. Mas se desmedia em paixão indisfarçável pela Celebridade. Que, fogosa e insaciável, num belo dia cinza o partiu. Deixando-o, já de mãos dadas com o novo best-seller da prateleira.
Injuriado, o artista se inflamou. Que haveria de tê-la de volta. Por já não crer haver, consigo mesmo, valor algum. E pôs-se a escrever, sem nenhuma inspiração, quadrinhas passionais de recalque. As quais a Celebridade prontamente esnobou, desapercebendo-as por completo. Até que ele definhou.
Na surdina, a Arte enxugou das lágrimas a revolta e catou da casa as últimas migalhas de dignidade, colocou-as em sua mala, e a fechou. Não fosse a última a saltar de um tão naufragado barco. Restou, no fim, o nada. Despojado até do último destroço.
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