Uma tempestade
sempre acaba aos pouquinhos.
Primeiro,
cessam os trovões. Depois, os relâmpagos. E, então, o céu vermelho dá lugar a
uma chuva serena, amena. Que poderia bem ser uma cantiga de ninar, não
estivesse ainda presente o desacalantador cheiro da truculência.
Finda a
tempestade, reconstroem-se as cidades. Recompõem-se as pessoas. Recolhem-se os
galhos, reparam-se os postes de energia elétrica.
Depois da
tempestade, existimos sempre. Aquietado o coração.
Pois foi
quando o ato encerrou. Mas não mudaram o cenário. Cortinas reabertas.
Perdida, no
centro, a atriz já não mais podia reconhecer a personagem de que se cercara. Tudo
o que saberia fazer seria repetir o primeiro ato, repleto de trovões e
relâmpagos, negando a presente paz. Presa em repetido lapso temporal. Pássara
numa gaiola de horrores.
Na fuga, ao
despir-se da alheia persona, só lhe restava a si mesma: nua, na frente de
todos. Exposta como vedete em palco de cabaré. Crua em carne, sangue, ossos, e
ferida... viva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário