Era de tardezinha, e a mulher levava a cadeira para a calçada, movimentando a rua, para ver as coisas que queria ver. À volta, vizinhos faziam o mesmo. O sol pintava-se de cores cada vez mais escuras. Em breve, seria breu. E o que mais haveria seriam estrelas de luz ensandecida a ludibriar os tolos que se deixassem persuadir. E quantas promessas descabidas os faria jurar, as quais só a sensatez da alvorada poderia desmentir.
O movimento era igual. Mas tinha dias que a mulher via casais enamorados. Em outros, pessoas com muita idade a respirar mais ar ainda. Tinha dias que via saquinhos de biscoito a voar, carregados pelo vento quente que nos levará a todos. Ou o vira-lata. Tão desamparado e sorridente como o fundinho da alma. Tinha dias que ela secretamente espionava outras mulheres como ela mesma. Nestes, era quase sempre um assombro enxergar-se tão literal.
E era bom ser casa. Calçada por onde alguém pudesse entrar, sair, sentar e ser. Mas é que no momento que as cores fugiam do céu, entregando-o aos deslumbres de um brilho sem luz, um abandono absurdo a deixava com o juízo abarrotado da solidão mais farta.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Poema de Halloween.
Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato. Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...
-
Quando o meu pior medo pulou da caixa dos temores para o meio da rua era como se esta rua já nem fosse mais tão minha assim. Então, me...
-
Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato. Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...
-
Talvez eu tenha algo a dizer sobre o tempo que passa que ultrapasse as pequenas ganâncias que moram em mim e querem dominar o mundo. Sempre ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário