domingo, 27 de agosto de 2017

Telefone vermelho.

Separados pela distância, os amigos caminhavam sempre juntos. Que o existir, por diverso que fosse, é matéria que cola almas irmanadas como um ímã. Um amigo é como um irmão a quem não se xinga. Editados os momentos bons. Recortados e colados nas paredes interiores equilibristicamente sólitas. O para sempre seria sinônimo puro para a temporização da amizade, sempre tão jovem na mente.

Foi quando naquela manhã - há quanto tempo! - um amigo não reconheceu a voz do outro pelo telefone.

Desde então, dos dessintonizados fios, o que escorre é uma solidão súbita, gelada e animosina, ponte/ilhada como se por agulhas. Ou flepas. Ou farpas de sanguezinho nuclearmente endurecido a trespassar as dores da remoto-obliteração.

Graham sequer inventaria o telefone se não tivesse para quem ligar.

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