Quando as curvas da colina acabaram e ela finalmente chegaria à ponta do arco-íris, o tapete colorido estendido debaixo de si sumiu. Sendo que todos os outros colegas, tal como os imaginava, já haviam conseguido alcançar as nuvens, festejando com buzinas e dancinhas - que a essa altura pareciam ridículas. Não era inveja.
Até então, havia sido invariavelmente complacente. Com o inatingível das estrelas. Com as paisagens do Windows. Com as crianças e os animais. Mantivera a crença de que o que não fosse belo haveria de tornar-se alegre, sendo questão de ligar a trilha sonora certa, escolher a melhor luz para fotograr, ou editar o vídeo.
No chão de restos, garganta seca, olhos inchados, tudo parecia preto e branco. Lojas, capôs de carro, outdoors. E o homem que a esperava, estendendo-lhe o coração. E o problema de olhar para o céu ainda mais uma vez seria desperceber a única cor do mundo real ali, diante de si.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
sábado, 12 de agosto de 2017
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