Era de partir o coração que a aurora (desapaixonada) não aparecesse ali para desfazer tamanho mal-entendido. Talvez porque não fosse um mal-entendido. O barquinho bêbado e trôpego sairia em missão de busca e resgate do seu grande amor mesmo que fosse tarde, todos sabiam. Queimavam-lhe, densas e escuras, as raivosas ondas do mar. Doíam mais que águas-vivas.
O barquinho trôpego e louco deixava-se bolar pelas ondas de soda cáustica. Arranhando-se nas pedras e cascalhos, até perder a esperança. Atingido pelos relâmpagos da tempestade. Eram grossas, pesadas e amargas as balas de gota que o sacudiam, redemoinhas.
E até amanheceria. Só que, daquele barquinho, não restaria mais nada. Não em sendo ele assim como era. Suicida.
Era de doer. De partir o coração. Que o barquinho se tivesse deixado estar tão aturdido, rouco, louco e remexido.
Inexorável, irredutível.
E morto.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 23 de abril de 2017
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