Fora longo o dia e tortuosas as estradas pelas quais teve de percorrer, já muito tarde, de volta para casa. Vazia. Mas, ainda assim, uma casa. Um lugar que, qualquer dia desses, bem se poderia encher de pertences. Quando o fracasso bateu à porta. Ele costumava fazer isso todas as noites.
Como antes, o homem não teria com que fazer barricadas para impedi-lo de entrar. Os vizinhos não veriam motivo de preocupação na visita contumaz de um velho conhecido a um pobre desguarnecido. Os legalistas achariam justíssima a intervenção, e os generosos buscariam enxergar algum mérito por entre os defeitos do intruso indesejado.
O homem estava encurralado pelo fracasso e pelas riquezas que não conseguira acumular. E muito urravam, esbravejavam, caçoavam. Mas ele sabia que não tinha o que temer. Ele era feito de tijolos, e resistiria ao sopro do Lobo Mau.
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