Foi numa briga de ciúmes: o homem acusou a arte de ser volúvel, e ela o acusou de não ser verdadeiro. Desde então, passaram a isolar os corpos um do outro, ao tempo em que seguiam firmes e individuais.
Ela, conceitual, não marcava os dias com relógios, mas com estados de espírito.
Ele, habitual, acordava-trabalhava-e-dormia 365 vezes e então recomeçava. Divorciado e libertino. Dado a repetições de notas sem melodia, comida sem aprumo, bebida sem ocasião e televisão sem sentimento, num ritual de hipnose.
A arte, solitária, restava-se, ainda assim. A esparsas plateias. É que corria o boato de que ela não enchia barriga. Espalhado pelo homem, é claro, que, desesperançado, também não enchia coração.
Mas o que só alguns sabiam é que, à costumeira, de quando em vez, eles se encontravam. Nas sombras. E trocavam juras de amor fisiológicas. Irremediavelmente unidos pela evidente impossibilidade de viver sem paixão.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 26 de fevereiro de 2017
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