sábado, 11 de fevereiro de 2017

Namoro.

No final do abraço, depois do beijo, terminados os minutos que contavam horas cheias, ele ia embora sempre. Trocando-a pela parada de ônibus. Soltando a mão que a ligava ao pertencer. Doendo em falta. Por isso, ela fechava o portão e subia a escada, com a cara trancada. Independente. Crescendo em individualidade dentro de si. Sufocando e espremendo a falta do seu amor que cruzava a esquina, reduzindo-o a um lapso.

Até quando ele voltava, depois de um dia ou dois. Renovando-lhe juras. Mas cruzando, de novo, o portão, à menor ameaça da lua e do relógio. Distante o dia em que cumprisse a promessa de amor eterno consumado com anel e festa. Chamando de lindo o rosto com que ela, enamorada e em fúria, lamentava-lhe um tchau em ultimato.

Restando, de novo, a si tão só. Presente a noite imensa. Por entre postes e prédios, a namorada sonhava com castelos, cavalos brancos e homens decididos.

Coaxavam os sapos.

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