quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cantiga de ninar.

Era noite - e a lua azul cafunava os cabelos da mulher, com brisa e vento, perdidos os olhos que dela derramavam brilho no mar. Não havia mesmo palavra a dizer.

Pairava a noite e, serena, a luz da lua revelava a silhueta branca de uma espuminha que as ondas traziam sabe-lá-daonde, sabe-lá-pra-quê. Como no coração, esperança que ia e vinha sem ter motivo. Ela não tinha alguém para amar.

Deitada na rede da varanda, a mulher esperava. Como uma reticência, era tudo que sabia fazer. Comemorando o desaniversário de algum amor inventável. Confidenciando às estrelas em sonhos o fim de uma eterna solidão. Feliz por ano menos poder dormir e acordar em azul mistério.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poema de Halloween.

 Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato.   Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...