Porque a vida era boa, o bichinho precisava trocar de concha como quem se despede de si: lentamente. Anátema aos dias, meses ou anos. Seguro de atentar a cada detalhezinho de sua continuação. Haveria um backup esquematizado de todos os encantos que pudesse transportar em si à nova morada. Mas, sobretudo, do que passou não restaria mais nada. Por escolha.
O bichinho ia embora devagar porque tinha amado ficar. E já não iria retornar. É que é assim que a vida segue. Linda.
Muitos animais censuraram-no pela demora. Mediam o tempo com calendários e relógios. Desconheciam as estações inerentes somente audíveis ao mais sensível coração. Arrancavam cascas de ferida como se fossem bandeides, sangrando desapercebidos ou em segredo, para não dar o braço a torcer. Ao bichinho, ninguém enganava.
Ele era sábio.
Talvez mais do que um pouquinho só demorado demais mesmo.
Ainda vaga.
Um dia, há de chegar juntinho de mim.
Quem sabe arranje na concha nova um espacinho para dois.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 25 de dezembro de 2016
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Poema de Halloween.
Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato. Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...
-
Quando o meu pior medo pulou da caixa dos temores para o meio da rua era como se esta rua já nem fosse mais tão minha assim. Então, me...
-
Aqui jaz uma poetisa descalça de um pé, procurando o outro sapato. Atrasada até para passar o café, tem no encalço uma pequena filha cont...
-
Talvez eu tenha algo a dizer sobre o tempo que passa que ultrapasse as pequenas ganâncias que moram em mim e querem dominar o mundo. Sempre ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário