A distância centímetra entre os dois corpos media a altura orgulhosa de um gigante e a força de todos os dentes do mundo. E a memória das mágoas.
Cruzada a porta, o homem prometeu de si a si mesmo jamais acreditar em sorrisos ou palavras outra vez.
Esmagada pelo bater da porta, a mulher sufocava com seu peso toda queixa e todo amor. Traía-lhe a esperança de um fim depois do fim. O querer crer que no mundo houvesse ainda cores.
O homem em seu caminhão de fretes buscava logística no depois, subindo e descendo serras. E correndo os perigos da estrada, sem os pudores de quem tem coração. Sem afrouxar a mordaça à saudade que, ainda assim, o atocaiava e estrangulava, vez em quando.
A mulher descascava sempre cebolas. Que o mal de tudo seria o desmotivo. E depois, é receita das mais simples falsear um porquê.
Até o dia em que se encontraram. No fórum, perante o juiz. À tal distância centímetra. Que é quanto media o muro alto que arranhava de cinza um céu de azuis. Erguido imponentemente ali por desrazões que já nenhum dos dois, e nem ninguém, saberia realmente contar. E, por isso mesmo, fingiam esconder-se como formiguinhas, nas sombras esvanecentes do tamanho muro. Não descobrisse o desamor que lhe haviam faltado.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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