Não sei quando. Um dia, Catherine olhou para um céu de cores e desejou sinceramente ser quem não era. Inabalável.
E fingiu não-ser com tanto ardor que magoou tudo a que pertencia.
Heatcliff, o dono do seu coração, urrou e esbravejou qual fera a ponto de nunca conseguir ser feliz, arrastando na imensidão de tristeza todos, exorcizando para sempre a luz do sol, em continuado absurdo.
Percebendo-se morta, ela voltou a si já inexoravelmente tarde.
A noite era fria, pesada e nua. Como só imaginamos lendo os piores livros.
Nunca mais, ou antes, esperança alguma. Neve por dentro dos ossos e a cerrar-lhe os dentes, e a enrijecer os músculos de quem já não existia. A fantasma batia desesperada na janela do vilão. Eram batidas mais fortes que o ódio, e o hálito da morte lhe era mais doce do que tudo, de tão áspero o coração.
Por ter escolhido o escuro, por ter destruído em si o entorno, por já não saber ou querer consertar. E por ser tão cruel. Outrora, lacerado obstinadamente por seu único motivo. Então, embriagado de amor e solidão.
Ele ainda preferiria mil vezes viver a morte a um cemitério.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
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