sábado, 22 de outubro de 2016

Maldades.

Ela chegou. Largou a bolsa e as chaves na mesa. E terminou de percorrer o corredor enquanto tirava os sapatos. Em alívio, mas agora desesperava.

É que, chegando ao quarto, pelo espelho, viu uma barata. Sentiu-se vista pela barata. E, porque a vida já lhe era suficientemente difícil, chorou. E não lhe tirem a razão.

Ela, que tanto trabalhava. E cansava. E tentava arrumar a própria bagunça todos os dias. Que havia velado o final de semana aos estudos, não descansando: ela não precisava. Não agora. Não ali. Nem daquele jeito.

Tinha asas.

Num ápice de desrespeito, a barata alada invadia o banheiro e pousava em sua escova de dentes. Lambia o tubo de pasta.

A mulher virou tapete de chão. Inerte. Impotente. Seu semblante era duro e frio, quase a morte. A barata a tripudiava absurdamente.

Foi então, e sempre chega o depois. Que, por não conseguir dormir, ela acordou. Logo, tudo o mais sufocou com cheiro de Baygon pela casa inteira, e desde-em-diante era ela quem zombava. E foi o ponto final.

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