Porque vivia mais rápido que o tempo, a morte a espreitava já a mais de um quarteirão. Entre uma medicação e outra, entreolhavam-se. Os mais sábios, em experiência e lógica, a aconselhariam a deixar-se ir docemente, tão infinitos somos depois de nós. E agradecer.
Mas ela tinha um amor.
Por isso a agonia. Por isso o respiro gritando tosse, teimando vida. E todo o desespero, e desejo. Ainda mais do que ela ou ele, era pela linda promessa que lhes sombreara a vida, de ambos em uma. Promessas são palavras que falamos e não se desfazem mais. Era caso de amor eterno: já estava dito.
Inescapável, a morte e suas passadas avessas bem mais de perto sopravam-lhe a cantiga do sono. Quase rente ao coração em gemidos. Foi por impulso, levantou-se e decidiu falar ao homem ainda uma vez. Ou, na verdade, sobre todas as vezes.
- Que era eterno o amor. E imenso o tempo. Que os fios da vida quando desenrolamos para bordar um tapete às vezes é obra para mais de um fio só. Se não por ele, pelo amor que os unia, que deixasse a porta aberta, quando dos dois restasse apenas um. Para, então, amanhecer.
Por dentro, sabia que, bordado o tapete, pisar-se-iam, sobre um, todos. Ela, ele e a futura cor. Pois que não ser mais ou não ter sido antes são adagas empunhadas contra o peito de quem amou como seu a alguém. E o que entendia a morria lentamente.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 5 de julho de 2015
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