Caminhava com um balde, que lhe guardava as memórias. Vez em quando, puxava alguma de sorriso doce. Ou doída como os calos da alma. Pois a vida é melodia para tons graves e agudos. Nela, a beleza reside além - onde se descobre entrecaminhos. Já que o mundo não é roupa estendida e pregada a esperar o sol no varal.
Dobrando a esquina, a mulher viu uma lembrança, que guardara triste, rindo de rachar os dentes. Mais um pouco, e a memória que guardara esma apareceu-lhe aplaudida, tida por bela e elegante, recebendo presentes e fazendo viagens fantásticas.
A mulher olhou para o outro lado e viu seus sonhos, ou o que lembrava deles, correndo por direções que não alcançaria. Cruzando o caminho de gente que ela não gostou um dia. E do gostar ou desgostar, só restavam reminiscências. A amplidão do presente ocupava mais espaço que todos os baldes, catando-lhe os olhares a todo sempre, ao desanuviá-los de outroras ou falsas tristezas e alegrias...
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 19 de julho de 2015
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