No dia em que ficou sem orquestra, o maestro tentou reger as formigas em seu caminho. Mas a sua simples presença dispersava-as todas. Mais unidas estavam em sua uníssona fileirinha, pobre de notas ou acordes. Tentou reger os pássaros, que dele fugiram com suas libertárias asas. Ele tentou reger uma cachoeira - que, sozinha, explicou-lhe em coro o quão grande e poderosa era para que se deixasse reger por um maestro humano.
Ele se deixou estar, então, velho e avulso, encostado numa pedra ribeirinha. A abandonar em uma mala tudo que de si compreendia, e o que mais pensava ser, para, quem sabe assim, conseguir seguir viagem. Sem bagagem.
Foi quando olhou o céu, e percebeu que a melodia dos passarinhos encaixava perfeitamente na marcha inaudível das formigas. Compassada com a percussão estrondosa da cachoeira. E com o guizo das cobras. E com o rebuliço dos macacos nas árvores.
A vida, então, o atraiu por um meandro de entretantos, ensinando-o as notas estreitas e eternas que existem desde antes da fundção do mundo e carregam o poder de transformar a mente e o coração...
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
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