Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
À grande causa.
Ela estava ali, é lógico. Onde mais poderia estar? A jejuadora protestava sem indignação, fechando os olhos e sumindo, em público. Para lugar nenhum. Desaparecia sempre, aos pouquinhos. Num espetáculo.
Sim. Porque as pessoas, que paravam para a ver acontecer, tomavam aquilo por número de mágica: a mulher que desexistia por um motivo algum. E, desligados das próprias vidas, burburavam aos cochichinhos.
Eram olhos. Dedos apontes. Estonteada pelo silêncio dentro de si, observava. Quando o fim finalmente acabasse, todas as testemunhas culpariam um outro alguém. Na verdade, ela sabia, ninguém podia mudar realidades que ela também não poderia. Mas, porque desistira, sua fragilidade exposta alcançaria fama e notoriedade que a redimissem. E os piedosos que dela aproximavam comida nada mais queriam que um trisco dos holofotes. Jogo de luzes que se voltava inteiro para ela a cada recusa.
Já não era abnegação.
A jejuadora obedecia, cegamente, a ilógica das coisas, por insanidade. Seria tragada como os demais. Do circo de horrores. Só que literalmente.
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