Ele era o grito de liberdade que a acordara de uma vida de noite sem fim. A carta de alforria. Como uma capa de super-herói, era o que a vestia, e então ela podia tudo que uma mulher sozinha não poderia. Como sair à noite, mudar de casa, trocar a faculdade por um curso de artes e virar a cara para a gente chata.
Porque estava apaixonado, deleitava-lhe prometer a ela todas as cores, inclusive a rosa mais sonhada.
A embevecia sorver os anos doces e cremosos de amor com ovomaltine.
Até o dia em que, passeando, ela pisou por onde ele não permitiria, desapercebidamente. Foi quando, ao retornar ao sempre, com a alegria de um canto, ele a interpelou. Com as mãos espalmadas, enumerou-lhe as milhares de correntes invisíveis e descomunais que a prendiam. E mostrou a espessura das macias e intransponíveis paredes de algodão do castelo que lhe havia construído.
Aí, não se sabe se por medo, desamor, mágoa ou puro espanto: ela chorou.
Desculpe a indefinição de estilo. É que, enquanto escrevo, vem a vida e me troca as canetas...
domingo, 5 de junho de 2016
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